(Parque do Cocó, Dez, 2010. Fortaleza,Ceará, Brasil)

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Um texto interessante, enviado por Áthila Campos, sobre recentes pesquisas a respeito dos efeitos da meditação. Clique:

 Neuroquimica_correlata_a_Meditacao[1]

Nos últimos tempos temos dedicado nossas reflexões quase que exclusivamente às questões ambientais e aos desafios que as mudanças climáticas implicam para o futuro de nossa civilização, para a produção e o consumo.

Nem por isso devemos descurar os problemas cotidianos, a construção continuida de nossa identidade e a moldagem de nosso sentido de ser. É uma tarefa nunca terminada. Entre muitas, duas provocações estão sempre presentes e temos que dar conta delas: a aceitação dos próprios limites e a capacidade de desapegar-se.

Todos vivemos dentro de um arranjo existencial que, por sua própria natureza, é limitado em possibilidades e nos impõe barreiras de toda ordem, de lugar, de profissão, de inteligência, de saúde, de economia, de tempo. Há sempre um descompasso entre o desejo e sua realização. E às vezes nos sentimos impotentes face a dados que não podemos mudar como a presença de um esquisofrênico com seus altos e baixos ou um doente terminal. Temos que nos resignar face a esta limitação intransferível. Nem por isso precisamos viver tristes ou impedidos de crescer. Há que ser criativamente resignados. A invés de crescer para fora, podemos crescer para dentro na medida em que criamos um centro onde as coisas se unificam e descobrimos como de tudo podemos aprender. Bem dizia a sabedoria oriental:“se alguém sente profundamente o outro, este o perceberá mesmo que esteja a milhares de quilômetros de distância“. Se te modificares em teu centro, nascerá em ti uma fonte de luz que irradiará para os outros.

A outra tarefa da autorealização é a capacidade de desapegar-se. O zenbudismo coloca como teste de maturidade pessoal e liberdade interior a capacidade de desapegar-se e de despedir-se. Se observamos bem, o desapego pertence à lógica da vida: despedimo-nos do ventre materno, em seguida, da meninice,da juventude, da escola, da casa paterna, de parentes e da pessoa amada. Na idade adulta despedimo-nos de trabalhos, de profissões, do vigor do corpo e da lucidez da mente que irrefragavelmente vão se desgastando até despedirmo-nos da própria vida.

Nestas despedidas deixamos um pouco de nós mesmos para trás.

Qual é o sentido deste lento despedir-se do mundo? Mera fatalidade irreformável da lei universal da entropia? Essa dimensão é irrecusável. Mas será que ela não guarda um sentido existencial, a ser buscado pelo espírito? Se, fenomenologicamente, somos um projeto infinito e um vazio abissal que clama por plenitude, será que esse desapegar-se não significa criar as condições para que um Maior nos venha preencher? Não seria o Supremo Ser, feito de amor e bondade, que nos vai tirando tudo para que possamos ganhar tudo, no além vida, quando nossa busca finalmente descansará?

Ao perder, ganhamos e ao esvaziarmo-nos ficamos plenos. Dizem por aí que esta foi a trajetória de Jesus, de Buda, de Francisco de Assis, de Gandhi, de Madre Teresa e de outros.

Talvez um estória dos mestres espirituais antigos nos esclareça o sentido da perda que produz um ganho. “Era uma vez um boneco de sal. Após peregrinar por terras áridas chegou a descobrir o mar que nunca vira antes e por isso não conseguia comprendê-lo. Perguntou o boneco de sal:” Quem és tu? E o mar respondeu: “eu sou o mar”. Tornou o boneco de sal: “Mas que é o mar?” E o mar respondeu:” Sou eu”. “Não entendo”, disse o boneco de sal. “Mas gostaria muito de compreender-te; como faço”? O mar simplesmente respondeu: “toca-me”. Então o boneco de sal, timidamente, tocou o mar com a ponta dos dedos do pé. Percebeu que aquilo começou a ser compreensível. Mas logo se deu conta de que haviam desaparecido as pontas dos pés. “Ó mar, veja o que fizeste comigo“? E o mar respondeu:“Tu deste alguma coisa de ti e eu te dei compreensão; tens que te dares todo para me compreender todo“. E o boneco de sal começou a entrar lentamente mar adentro, devagar e solene, como quem vai fazer a coisa mais importante de sua vida. E na medida que ia entrando, ia também se diluindo e compreendendo cada vez mais o mar. E o boneco continuava perguntando: “que é o mar”. Até que uma onda o cobriu totalmente. Pode ainda dizer, no último momento, antes de diluir-se no mar: “Sou eu”.

 

                 Leonardo Boff é autor de Tempo e Transcendência, 2009 (Vozes)

 

 

http://opovo.uol.com.br/opovo/mundo/981895.html

 

É chegado o momento

de esquecer,

esvaziar a xícara

e jogá-la fora.

Todos os conceitos

e preconceitos.

Se já comemos a refeição,

é hora de lavar os pratos.

 

 

 

 (Igor. H. Oliveira, Nuvens e Água. Edição do Autor, 2003)

08/11/2009 às 00:00:00 – Atualizado em 07/11/2009 às 16:34:02

O Zen Budismo

 

Muitas vezes esta coluna transcreveu alguns dos clássicos textos da escola Zen. Entretanto, o que quer dizer exatamente isso? Como explica o Ming Zhen Shakya, o Zen está para o Budismo assim como a cabala para o Judaísmo, a contemplação para o Cristianismo, a dança sufi para o Islã: ou seja, é a prática mística de ensinamentos filosóficos ou espirituais.

A escola Zen nasce na China, misturando o budismo vindo do Nepal, com as tradições locais do taoísmo (que discutiremos no futuro). Entre os anos 700 e 1200, monges viajam para o Japão e ali desenvolvem dois tipos de meditação, baseados na postura física: o estilo Rinzai prega que todo ser humano pode atingir a iluminação se viver sua existência com respeito e sobriedade, enquanto o estilo Soto prega a importância de um longo treinamento para que este objetivo seja alcançado.

Para os mestres Zen, todos nós temos um conhecimento intuitivo da razão de nossa existência. Portanto, as maiorias dos ensinamentos filosóficos ou religiosos são apenas maneiras de provocar, no interior de cada um, o contacto com esta sabedoria que já está ali – enterrada debaixo de muitas camadas de preconceito, culpa, confusão mental, e idéias falsas a respeito de nossa própria importância.

O Zen budismo – principalmente aquele que viria ser elaborado a partir do estilo Soto -desenvolveu uma série de técnicas para o ser humano chegar até esta paz e compreensão interior. Para nós, que temos uma visão mais ocidental da busca interior, estas técnicas estão profundamente relacionadas às palavras de Jesus, no evangelho de Mateus: “Quando rezares entra em seu quarto, fecha a porta, e ora para o Pai em segredo; e o Pai, que tudo ouve em segredo, te compreenderá”.

O praticante zen procura um lugar calmo, e ali senta-se em uma posição onde consiga manter seu equilíbrio por longo tempo, mas sem ter a coluna apoiada; por causa disso, a mais conhecida postura mostra-o com as pernas cruzadas, e as mãos entrelaçando-se na frente, sobre o sexo. Alguns mosteiros que visitei no Japão usavam uma espécie de almofada de couro, de modo a elevar ligeiramente o corpo, permitindo uma melhor circulação do sangue nas pernas. A partir daí, deve-se procurar manter a imobilidade pelo maior tempo possível, enquanto se obedece algumas regras simples. A cabeça deve ficar inclinada para baixo, os olhos não se devem fixar em nada, mas tampouco devem ser fechados, para evitar a sonolência. Observa-se a respiração, mas não se tenta manipular seu ritmo – ele deve ser o mais natural possível, já que à medida que o zazen (este é o nome da postura) progride, a tendência é que as inspirações e expirações se tornem mais pausadas e mais lentas. Portanto, a idéia central não é tentar o controle do pensamento, das emoções, nem buscar um contacto espiritual com Deus; tudo isso virá a seu tempo, à medida que nos acalmamos. Como a prática do Zen é extremamente simples, sem qualquer conotação religiosa ou filosófica, ela nos ajuda – paradoxalmente – a conectar-se melhor com Deus e a responder de maneira inconsciente nossas dúvidas.

A próxima vez que você encontrar-se em casa, sem nada que fazer, e achando tudo aborrecido e repetitivo à sua volta, tente sentar-se em um lugar tranquilo, ficar imóvel, e deixar que o mundo corra ao redor.

 

clique aqui para ler a coluna no Paraná On-line.

 

 

CENTRO ZEN-BUDISTA DE
FORTALEZA
SEI AN JI
TEMPLO DA PURA PAZ
 
ZAZEN (Meditação Sentada)
KINHIN (Meditação Andando)
 
Horários de Práticas
 
2ª feira – 20:00 às 20:40 hs
4ª feira – 20:00 às 20:40 hs (Iniciantes)
 
 
Local: Instituto Gaia
          Rua: José Vilar, 964 – Aldeota
          Tel: 224.9770 e 244. 6743

Prática, filosofia e psicologia budista

Ensinamentos:

 

O caminho Budista para a tranquilidade e percepção pura

sábado, 07/11 das 19h30m às 21h

contribuição sugeridda R$ 10,00*

 

Meditação Shamata e Vipassana

da percepção impura para a percepção pura

domingo, 8/11 das 9h às 12h e das 15h às 18h

sábado, 14/11 das 9h às 12h e das 15h às 18h

contribuição sugeridda R$ 10,00*

 

O que significa ser livre

segunda, 9/11 das 19h30m às 21h

contribuição sugeridda R$ 10,00*

 

O custo das Ilusões

terça, 10/11 das 19h30m às 21h

contribuição sugeridda R$ 10,00*

 

Budismo na Prática: Visão de Dipamkara

quinta, 12/11 das 19h30m às 21h

contribuição sugeridda R$ 10,00*

 

Voltando para nossa natureza

sexta, 12/11 das 19h30m às 21h

contribuição sugeridda R$ 10,00*

*os valores são apenas sugeridos.

** traga uma almofada confortável.

 

Budismo Tibetano Vajrayana, Escola Nyingma

de 7 a 14 de novembro de 2009 em Fortaleza/CE

 

Instituto Gaia de Terapia e Estudos Holísticos

Rua José Vilar, 964

Aldeota, Fortaleza, 60125000

(0xx)85 3224-9770

Zazenkai de OUTUBRO

 O que é?

– Retiro com duração de meio dia, voltado para a prática da
meditação, estudos e outras práticas voltadas
para o treinamento do zen.

Quando?

– Sábado, dia 03/10

Duração?

– de 06:00 às 12:00

Onde?

– Salão do Instituto Gaia

O que levar?

1) Alimentos para o café-da-manhã (de preferência naturais e/ou orgânicos)

2) Roupas leves

OBS: Chegar ao local pelo menos 10 minutos antes do início. Evitar conversas
até o final do zazen que antecede o desjejum. Diante do número limitado de
almofadas e banquinhos do templo, sugerimos que as pessoas tragam de casa
uma almofada alta e confortável, se possível.

Maiores informações ligue para Áthila (99695661), Luis (99841460).